Wynwood: resgate pela arte

novembro 19 2018

Quem visitasse Miami no início dos anos 2000 dificilmente passaria pelo bairro de Wynwood. Ao contrário, o visitante seria aconselhado pelos moradores das cercanias a manter distância segura do lugar mesmo durante o dia. À noite então, nem pensar.

Mas uma autêntica revolução urbana nos últimos dez anos, em nome da arte e da cultura, fez deste enclave ao norte da região central da cidade percurso obrigatório para quem busca o que há de mais contemporâneo na chamada street art, graças aos inúmeros criadores que aproveitaram muros e paredes de galpões e armazéns abandonados para suas demonstrações de criatividade ao ar livre.

Wynwood em Miami: templo do grafite

Templo do grafite cultuado como nas grandes metrópoles, Wynwood, hoje, nada fica devendo aos mais visitados núcleos internacionais da arte de rua, de Londres a Los Angeles, de Berlim a Barcelona.

Espécie de gueto porto-riquenho e dominicano há até bem pouco tempo, trata-se de uma área relativamente pequena de Miami, limitada ao norte pela NE 36th Street e ao sul pela NW 20th Street, ocupando o trecho entre Town Square e Buena Vista, o suficiente para acumular uma das maiores concentrações mundiais de arte urbana no mais puro significado do termo.

Em lugar da sujeira, das ruínas e da violência de antes, um arejado reduto cultural que vale mais de um passeio – e sem pressa. Estúdios, museus e ateliês circundam os espaços abertos com atividades alternativas todos os dias. E um complexo de aproximadamente 80 galerias faz dessa área de Miami um pulsante centro de arte pop.

Wynwood Art Walk

Muito do desenvolvimento do bairro nem pôde ser apreciado por seu maior empreendedor. Tony Goldman morreu em 2012, não sem antes deixar tudo bem encaminhado. A mostra Art Basel, por exemplo, é considerada uma das mais prestigiadas do mundo e, entre as atrações mensais mais buscadas, está o Wynwood Art Walk, celebrado no segundo sábado de cada mês, quando galerias e espaços de arte abrem suas portas durante todo o dia e até altas horas da noite para receber visitantes, com muita champanhe e petiscos gratuitos.

A consistência artística da região permite, além de tudo, uma constante renovação de talentos, com um perfil plural e democrático. Como exemplo, em 2016, coincidindo com a Art Basel, 12 artistas latino-americanos foram convidados para a exposição ‘Fear Less’, entre eles Tati Suárez, de origem brasileira-salvadorenha, e os espanhóis Pichi & Avo, de Valencia, expoentes da arte urbana na Europa.

A iniciativa partiu da Goldman Global Arts, fundação dirigida pela filha de Tony Goldman, Jessica Goldman Srebnick. O outro filho do empreendedor, Joey, também está por perto – possui um dos mais cotizados restaurantes do bairro, que leva seu nome, com uma cozinha contemporânea e cardápio leve.

As horas passam rápido em Wynwood. O bairro desperta tarde, depois do meio-dia, mas o show de imagens fortes e desafiantes estão ali o tempo todo. Pode se chegar caminhando desde o centro, tomar um café ou uma cerveja para estimular e, depois, basta aguçar os sentidos.

As obras perpetuadas nos grandes muros incitam a busca aos museus e galerias que se multiplicam pela região.
Entre as principais galerias, estão a Margulies Collection, na 591 NW 27th Street, uma reunião de fotos, vídeos, esculturas e peças contemporâneas de Martin Z. Margulies, e a Rubell Family Collection, situada na 95 NW 29th Street, que inclui peças de alguns grandes nomes da pop art, como Andy Warhol.

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