Junia Capobianco: três décadas no coração da Freeway

junho 24 2019

A trajetória familiar e profissional de Junia Capobianco sempre esteve ligada à própria história da Freeway, desde os tempos da Faculdade de Medicina

Desde o primeiro dia de Freeway, três décadas atrás, Junia Capobianco esteve ao lado do marido, Jânio Machado. Nos primeiros meses, acompanhou à distância. Ficou um tempo em Minas Gerais, cuidando dos filhos e dos estudos na Faculdade de Medicina em Pouso Alegre, enquanto Jânio montava a estrutura da empresa em Franca.

Depois de formada, Junia fez o mesmo caminho do marido junto com a família e passou a seguir mais de perto o crescimento da Freeway, os tempos duros e suaves, o desenvolvimento dos produtos e a conquista do mercado.

Nesta entrevista, Junia fala de sua trajetória e de como a profissão de médica ajudou na sua carreira dentro da Freeway.

Way… Quando uma empresa cumpre 30 anos já se pode dizer que se trata de uma empresa sustentável. É hora de comemorar?

Junia… Sim, com muito orgulho!! Não é fácil uma empresa cumprir 30 anos no Brasil, principalmente sendo uma empresa familiar, que surgiu de um sonho.

Este ano é especial para todos nós e pretendemos criar um selo comemorativo entre outras atividades até o fim do ano, pois devemos celebrar tudo que conquistamos.

Queremos mostrar as pessoas que fazem a Freeway uma grande empresa no seu dia a dia. Valorizar os que estão por trás da marca. Somos e nos orgulhamos de ser uma empresa de empreendedores.

Way… Você tem bastante viva na memória a trajetória nos primeiros tempos?

Junia… Conheci meu marido na faculdade de Medicina, quando ingressei tinha apenas 17 anos, e ele já cursava o quarto ano. Logo começamos a namorar, nos casamos e tivemos nossos filhos mais velhos ainda na Universidade.

No final de 1989, ele já havia se formado e estava terminando a residência de Anestesia. Jânio tinha o desejo de retornar a Franca, pois sabia que aqui encontraria melhores condições de trabalho e o apoio da família.

Logo da sua chegada, enquanto procurava se estabelecer como médico anestesista, o irmão Wayner o convidou a tocar uma pequena fábrica de calçados em conjunto.

Enquanto isto eu permaneci em Pouso Alegre, no Sul de Minas, com nossos dois filhos e a babá. Estava começando então o sexto ano.

Way… Mesmo à distância, você acompanhava as dificuldades e como a fábrica se estruturava?

Junia…Sim, era o início dos anos 90, um tempo de grande efervescência na moda!! Houve um modelo de calçado que estava em alta na época, chamado popularmente de “ Canadian” e a fábrica logo começou a produzí-lo. Foi um grande sucesso, principalmente na cor branca, pois os sapatos brancos até então eram muito antiquados.

Assim que meus colegas estudantes e médicos viram começaram a me fazer encomendas, vendi mais de uma centena de pares naquele ano. Foi o meu primeiro contato com o mundo dos calçados e não poderia ter sido melhor pois a empresa estava começando e este reconhecimento foi muito importante para nós.

Way… Mas sua vida de estudante ainda não estava concluída?

Junia… A de acadêmico sim, mas ainda havia muito o que estudar…logo que cheguei em Franca fui fazer Residência no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, e na sequência cursei o Mestrado também. Viajava a Ribeirão Preto todos os dias, e neste período me distanciei um pouco da fábrica.

Como me especializei em Saúde do Trabalhador, acabei retornando ao trabalho em fábricas e curtumes. Neste período adquiri grande conhecimento técnico na área, fato que me ajudava muito quando viajava junto com o Jânio para visitarmos feiras de calçados na Europa e também para fazer pesquisa de moda e mercado.

Eram momentos muito ricos, pois podíamos aproveitar da companhia um do outro, sem as crianças, rsrs… e ainda trazer muitas novidades para a empresa.

Na volta de uma destas viagens, tivemos o afastamento, por um problema de saúde, de uma funcionária nossa que cuidava da área de desenvolvimento de novos produtos. Foi quando Jânio me convidou a participar efetivamente do trabalho na empresa.

Way… A estas alturas, sua colaboração entrou em um plano profissional, de compromisso mesmo?

Junia… Foi gradativo, no início tentei manter meu consultório, mas ficou difícil conciliar. Passei a trabalhar integralmente no setor de desenvolvimento de produtos.

Tive sorte, pois sempre fui muito observadora, curiosa, e meu olhar me ajudava muito no processo de criação. Nesta época as cores dos sapatos eram muito neutras aqui no Brasil, muito bege, marrom. Como cheguei com a cabeça mais arejada, despretensiosa, comecei a inserir alguns detalhes e cor no visual dos calçados.

Adorava a combinação de azul e vermelho no couro branco, e houve até um modelo que foi apelidado pelos funcionários de mulher maravilha, até hoje não sei se por causa das cores ou se era porque era imbatível nas vendas!

Podemos dizer que foi um novo ciclo, pois ali se iniciavam os sapatênis, que deixou de ser um modelo para ser um estilo de calçado que até hoje está presente em nossas coleções. Já com outras denominações, porém ainda com muito sucesso. Foi um momento importante pois reposicionamos nossos produtos, sem perder nossa essência.

Way… Como foi a passagem da área de desenvolvimento de produto para o marketing?

Junia… Fiquei uns três anos no departamento de desenvolvimento e fui agindo empiricamente, de acordo com as demandas do setor, fizemos algumas mudanças e nos fortalecemos, porém sentia a necessidade de falar mais das coleções, de contar a história de cada modelo, fotografar.

Fizemos alguns materiais que seriam uma prévia da Revista Way. Criamos um roteiro para as coleções e este método nos levava aos temas da Revista. Gradativamente fui migrando e ficando mais próxima da área de marketing e comunicação.

Way… Qual você considera ter sido sua principal colaboração nesse período?

Junia… A indústria de calçados é muito artesanal, passada de geração a geração, por essa razão acho que uma das coisas que pude contribuir na Freeway foi trazer metodologia de trabalho, um modo de fazer as coisas com uma ordem que a medicina me ensinou.

São formas de pensar que podem ser aplicadas desde uma resolução de problemas ou para um diagnóstico situacional. Usar a estatística, o raciocínio, fazer um estudo da marca, planejamento, enfim colocar mais pessoas para pensar nisso.

Way… Por tudo isso, a Freeway é vista como uma marca de personalidade?

Junia… Acho que sim, somos uma marca de personalidade, pois não deixamos nossas origens, nossa essência. Sabemos quem somos e o que queremos produzir. Nossos calçados têm a nossa alma.

Podemos fazer sapatos femininos ou até mesmo sociais, mas sempre serão Freeway, esta personalidade é única.

Way… Em três décadas o que mudou no país?

Junia… Nestes 30 anos muito ou nada mudou, depende do ponto de vista que olhamos… Acredito que como nação ainda temos muito que melhorar, evoluir.

Mas obtivemos muitas conquistas e são elas que devemos comemorar.

A Freeway, como muitas outras empresas brasileiras, teve de se virar diante de todas as dificuldades destes anos e considero que nos saímos muito bem, estamos firmes e fortes e com um desejo de continuar sempre à frente dos problemas e acima das dificuldades do dia a dia.

Aprendemos que se queremos mudar, crescer, somos nós mesmos os agentes desta mudança.

Way… Qual foi o papel da revolução tecnológica nos avanços da Freeway?

Junia… Para a empresa, as novidades tecnológicas trouxeram resultados fantásticos, a ponto de todo o processo, desde a criação do modelo, até a usinagem de um novo solado ser feito dentro da fábrica e em tempo recorde.

Hoje produzimos nossos próprios solados, sempre originais, desenvolvemos nossos artigos de couro, também com exclusividade. Fato que neste mundo de fast fashion, é inusitado, se não raro.

Fomos pioneiros nas soluções de calce fácil, com a linha easywear, criando um sistema de ajuste perfeito com elásticos e zíperes, e a nossa fôrma é sem dúvida uma das mais ergonômicas, pois conta com mais de 20 medidas para um calce perfeito.

Enfim, ganhamos tempo e eficiência, com o menor desperdício, geramos riqueza com sustentabilidade. E isto não tem preço!!

Way… O público que consome os produtos Freeway também mudou?

Junia… O consumidor também evoluiu ao longo destes anos, principalmente na maneira de se relacionar com a moda. Hoje, os homens sabem o que querem comprar, tem estilo e informação.

Valorizam o custo benefício e um bom produto. Não compram por impulso, são conscientes.

E a maior mudança de todas é que compram on-line também, comprovando que os e-commerces vieram para ficar.

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